TSE rejeita ação contra comunista que associou incêndio na UFPE a Flávio

21 de Out de 2026 - 10:40
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TSE rejeita ação contra comunista que associou incêndio na UFPE a Flávio

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Ricardo Villas Bôas Cueva rejeitou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) da deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) contra o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) por associar o incêndio em um prédio na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) a apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi publicada nesta quarta-feira (21).

O incidente foi o terceiro na instituição de ensino em oito dias. Os outros foram atribuídos inicialmente a uma falha em um ar-condicionado e um acidente em um forno mufla. Após o mais recente, o influenciador comunista passou a divulgar uma suposta captura de tela com mensagens como "vamos explodir o departamento de vocês" e "fiquem espertos com a bomba", além de menções ao pleito.

"A sequência dos fatos é gravíssima e precisa ser esclarecida com urgência. Estamos buscando mais informações e vamos solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata sobre o caso, diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa. Se mais alguém recebeu mensagens ou ameaças desse tipo, nos envie", pontuou.

O próprio Jones, porém, admitiu que não é possível afirmar que a causa tenha sido criminosa (leia a manifestação na íntegra ao final).

Clarissa pediu que o X e o Instagram fossem obrigados a remover o conteúdo e preservar os registros. Ao final, queria que o opositor fosse declarado inelegível por oito anos por uso indevido dos meios de comunicação social.

Para Cueva, Clarissa não tem legitimidade para propor a investigação, uma vez que ela e Jones concorreram à Câmara no primeiro turno e os fatos estão relacionados à eleição presidencial no segundo turno. Além disso, o ministro aponta que a deputada não incluiu Flávio ou o presidente Lula (PT) entre as partes nem fez nenhum pedido em relação a eles.

"Diante desse cenário, ausente o interesse processual da investigante para propor AIJE fundada em fatos relativos à eleição presidencial, da qual não participou, a petição inicial deve ser indeferida", conclui.

PF investiga incidente

A Polícia Federal (PF) investiga o incêndio ocorrido no dia 7 de outubro. O imóvel atingido já abrigou a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) e, atualmente, servia ao Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica Suely Galdino (Nupit-SG) e outros laboratórios voltados à saúde e informática.

O local também era utilizado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) como sede de sua superintendência no Nordeste. De acordo com o reitor, Alfredo Gomes, a estimativa do prejuízo é de cerca de R$ 100 milhões. De acordo com ele, as perdas atingem dados e materiais ligados a cerca de 80 dissertações e teses, inclusive pesquisas acumuladas durante duas décadas.

Quem é Jones Manoel

Jones Manoel da Silva tem 36 anos e tornou-se conhecido na internet por meio de debates em que defende posturas alinhadas à extrema-esquerda. Historiador e professor, deixou o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário  (PCBR) para se filiar ao PSOL.

De linha marxista-leninista radical, o PCBR, na verdade, não é oficialmente uma legenda, uma vez que não possui registro na Justiça Eleitoral e adota uma postura favorável à revolução e contra o que chamam de "eleições burguesas".

A migração ocorreu para que o influenciador pudesse concorrer no pleito. Ele foi o segundo deputado federal mais votado de Pernambuco, com 249.077 votos, atrás apenas de Pedro Campos (PSB), que recebeu 261.555 votos.

Jones admite que causa é desconhecida - leia na íntegra

A publicação de Jones Manoel é do dia 8 de outubro de 2026:

"Até o momento, ainda não foi confirmada oficialmente a causa do incêndio no prédio da DINE na Universidade Federal de Pernambuco. Não se sabe se foi um ato criminoso ou se foi consequência de problemas estruturais e do sucateamento da própria universidade.

Diante dessa informação, lamentamos o ocorrido e ressaltamos a importância de garantir orçamento adequado para as universidades públicas. Não existe universidade pública de qualidade sem investimento e estrutura adequada, que garanta a segurança mínima dos estudantes, terceirizados, docentes, servidores e pesquisadores. É preciso defender a derrubada do novo teto de gastos, que restringe a capacidade do Estado de investir em serviços públicos essenciais.

Mesmo que o incêndio não tenha sido causado por um ato criminoso, isso não muda a gravidade da situação nem elimina a necessidade de investigação, nossa equipe jurídica continuará atuando.

Recebemos relatos e prints de diversos grupos de WhatsApp em que pessoas identificadas com a extrema direita estariam se organizando para realizar ações dentro da universidade, com mensagens mencionando possíveis bombas e ameaças contra estudantes, em nome do candidato Flávio Bolsonaro.

A existência dessas mensagens é, por si só, uma circunstância grave! Independentemente de o incêndio ter sido proposital ou não, eventuais ameaças contra estudantes não podem ser naturalizadas ou ignoradas. A existência de elementos que indiquem a prática de ilícitos deve justificar a adoção das medidas cabíveis e a instauração de investigação para identificar a autoria das mensagens, evitando novas tragédias.

Esses fatos precisam ser apurados pelas autoridades competentes, com identificação dos responsáveis e adoção das medidas cabíveis.

Nos solidarizamos com todos os pesquisadores, pesquisadoras e toda a comunidade acadêmica da UFPE que tiveram pesquisas e materiais de anos de trabalho perdidos no incêndio. São estudos de enorme importância científica e social para o Brasil."