Expedição registra pela primeira vez em vídeo pássaro raro na África

5 de Out de 2026 - 19:40
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Expedição registra pela primeira vez em vídeo pássaro raro na África

Pesquisadores registraram em vídeo, pela primeira vez na história, o cuco-picanço-de-ganges, uma ave que estava sem registros confirmados há 13 anos. O encontro inédito ocorreu em junho de 2026, no Parque Nacional de Taï, na Costa do Marfim. Os especialistas Stephanie Bartlett e Paulo Ditzel conseguiram documentar o animal enquanto ele se movimentava silenciosamente pela copa das árvores.

Como ocorreu o reencontro com essa ave considerada perdida?

O registro histórico aconteceu durante uma expedição de seis meses liderada pelos pesquisadores Stephanie Bartlett e Paulo Ditzel, da International Bird Conservation Partnership. Eles estavam no Parque Nacional de Taï, na Costa do Marfim, observando a copa da floresta, quando um movimento rápido chamou a atenção. Com binóculos e câmeras em mãos, conseguiram identificar as cores características do animal: plumagem alaranjada e amarelada com a cabeça escura. Bartlett foi ágil ao direcionar a lente, garantindo não apenas fotos, mas o primeiro vídeo documentado da espécie na história.

O que define um animal como uma espécie perdida para a ciência?

No mundo da biologia e conservação, o termo perdida é usado para descrever animais que não possuem nenhum registro científico oficial, como fotos, vídeos ou áudios, há pelo menos dez anos. É importante destacar que isso não significa que a ave esteja extinta, mas sim que ela é extremamente difícil de ser localizada no seu habitat natural. Atualmente, existem mais de 120 espécies de aves nessa situação. O cuco-picanço-de-ganges era uma delas, já que o último avistamento confirmado tinha ocorrido apenas em 2013, em uma floresta localizada no país vizinho, Gana.

Por que é tão difícil encontrar o cuco-picanço-de-ganges na natureza?

Embora possua cores chamativas, o cuco-picanço-de-ganges, cientificamente chamado de Lobotos lobatus, vive em áreas de floresta tropical muito densas e em altitudes elevadas, permanecendo na maior parte do tempo escondido entre as folhas no topo das árvores, a dezenas de metros do chão. Além de sua raridade natural, a espécie enfrenta o declínio populacional devido à perda de habitat. A destruição das matas por causa da exploração de madeira e da abertura de campos para o cultivo de cacau fragmentou as áreas onde o pássaro vive, tornando os avistamentos eventos raros e esporádicos.

Qual é a importância desse novo registro para a preservação ambiental?

O reaparecimento documentado em vídeo ajuda a ciência a entender melhor como a espécie sobrevive e quais áreas específicas ela ainda utiliza para morar e se reproduzir. O registro reforça que o Parque Nacional de Taï é um refúgio vital, sendo uma das maiores áreas de floresta primária que restam na África Ocidental. Para os pesquisadores, ver o animal vivo e saudável serve como um alerta para a necessidade de combater ameaças locais, como a mineração artesanal e a caça ilegal, garantindo que ambientes tão ricos continuem protegendo seres que o homem mal teve a chance de conhecer.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.