Israel lembra acusações de genocídio feitas por Lula e diz que ele age contra o país
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, lembrou nesta segunda-feira (26) a troca de hostilidades entre o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governo do premiê Benjamin Netanyahu, que tenta se manter no poder na eleição geral israelense desta terça-feira (27).
O chanceler fez os comentários no X em resposta a um post do ex-premiê Yair Lapid, líder do partido oposicionista Yesh Atid, que afirmou que “mais dois aliados de Netanyahu foram derrotados em eleições nesta noite, devido a uma alta taxa de comparecimento às urnas e a um povo com orgulho nacional que não estava disposto a aceitar imposições externas”.
Foi uma referência às derrotas de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula e de Aleksandar Vučić na eleição parlamentar na Sérvia, também realizada no domingo (25).
“Para o imprestável Lapid, dois amigos fiéis de Israel — o presidente sérvio Vučić e o candidato à presidência brasileira Flávio Bolsonaro — não passam de ‘associados de Netanyahu’”, escreveu Sa'ar.
“O presidente brasileiro Lula acusou Israel de cometer um genocídio em Gaza, traçando um paralelo com o Holocausto — o assassinato de judeus por Hitler. Ele chegou a afirmar [em 2024] que 12,3 milhões (!) de crianças foram mortas nos bombardeios da guerra”, disse o chanceler.
“Para completar, Lapid repete a retórica de Lula sobre uma ‘nação com orgulho nacional que se recusou a aceitar imposições externas’. Isso ocorre depois que Bolsonaro — um amigo de Israel que havia prometido transferir a embaixada de seu país para Jerusalém, caso fosse eleito — rejeitou os resultados das eleições, alegando uma extensão ilegal do horário de votação. Duvido que Lapid tenha a menor ideia do que Vučić fez por Israel durante a guerra”, acrescentou Sa'ar.
“Virar as costas para amigos de Israel, enquanto se bajula aqueles que agem contra o país, é sinal de um caráter patético e de uma baixeza moral — sem falar no nível abismal de pensamento estratégico demonstrado aqui. Quem preza pelo seu próprio bem-estar deve passar longe de votar em palhaços como esses”, disparou o chanceler contra Lapid.
Sa'ar também publicou um print do Instagram em que a Federação Árabe Palestina do Brasil comemorou a reeleição de Lula.
O petista acumulou conflitos com Israel durante o seu terceiro mandato. Em agosto do ano passado, o governo Netanyahu anunciou que as relações com o Brasil estão sendo conduzidas em “um nível diplomático inferior”, depois que a gestão Lula não concedeu a permissão (chamada de agrément) ao indicado para ser embaixador israelense em Brasília, o diplomata Gali Dagan.
No anúncio, o governo de Israel acusou o Brasil de adotar uma “linha crítica e hostil” desde os ataques do grupo terrorista Hamas em outubro de 2023 que desencadearam a guerra em Gaza, postura que “se intensificou a partir do momento em que o presidente Lula comparou as ações de Israel às dos nazistas” no conflito, alegou a gestão Netanyahu.
Israel havia declarado o presidente brasileiro persona non grata em fevereiro de 2024 em razão dessas declarações e o acusou de antissemitismo.