Eleições: “Terceira via” vai de 24,69% em 2018 para 7,81% em 2026
A chamada “terceira via” perdeu expressão significativa no cenário eleitoral brasileiro ao longo dos últimos anos. O âncora da CNN Iuri Pitta explica o tema ao CNN 360°.
Se em 2018 os candidatos fora do duelo principal somavam cerca de 24,69% dos votos válidos, em 2026 esse percentual caiu para apenas 7,81%, evidenciando o avanço da polarização entre PT e PL no país.
A evolução da polarização nas últimas eleições
Em 2018, o ex-presidente Jair Bolsonaro obteve aproximadamente 46% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Fernando Haddad alcançou pouco mais de 29%.
Juntos, os dois somavam cerca de 75% dos votos, deixando um espaço considerável — mais de 24% — para outros candidatos, como Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, João Amoedo, Cabo Daciolo, Henrique Meirelles, Marina Silva, Álvaro Dias, Guilherme Boulos, Vera Lúcia, Emael e João Goulart Filho, entre outros.
Esse universo representava quase um quarto do eleitorado brasileiro, criando um amplo mercado de votos a ser disputado no segundo turno.
Em 2022, a polarização se consolidou de forma ainda mais intensa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve muito próximo de vencer já no primeiro turno, faltando pouco mais de 1,5% dos votos válidos para isso. Jair Bolsonaro obteve 43,2% dos votos válidos, e os demais candidatos somaram apenas pouco mais de 8%.
O segundo turno daquele ano foi considerado o mais acirrado desde a redemocratização, com Lula vencendo por uma diferença inferior a dois pontos percentuais — 1,8 ponto, no arredondamento apresentado como 51% a 49%.
Cenário de 2026: menos votos em disputa no segundo turno
No primeiro turno de 2026, a tendência se aprofundou. Flávio Bolsonaro obteve aproximadamente 47% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva ficou com cerca de 45%.
Candidatos como Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, entre outros, não conseguiram, juntos, somar 8% dos votos válidos.
Ao todo, pouco mais de 5 milhões de votos estão em disputa para o segundo turno, e cerca de 2,2 milhões de votos separam os dois principais candidatos.
Augusto Cury e Renan Santos já declararam que manterão neutralidade no segundo turno, sem pedir votos a nenhum dos candidatos. Ronaldo Caiado, por sua vez, obteve aproximadamente 2,5 milhões de votos, e um eventual gesto de apoio pode ter relevância simbólica na disputa.
Com tão poucos votos disponíveis fora do duelo principal, o caminho para ambos os candidatos no segundo turno torna-se ainda mais estreito — em especial para Lula, que precisaria realizar uma virada inédita, e para Flávio Bolsonaro, que teria o desafio de manter seu eleitorado engajado até o dia da votação.