EUA monitoram suspeita de peste na Rússia após morte de funcionária e quarentenas na Sibéria
O governo dos Estados Unidos está monitorando uma suspeita de peste pneumônica na Rússia depois da morte de uma funcionária de um instituto que pesquisa a doença na Sibéria e da adoção de medidas de quarentena na região. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira (5) que Washington acompanha o caso de perto, mas que até o momento não há motivo para alarme.
A peste pneumônica é uma infecção grave causada pela bactéria Yersinia pestis, a mesma responsável pela peste bubônica. Diferentemente da forma bubônica, neste caso ela atinge os pulmões e pode ser transmitida de uma pessoa para outra por gotículas respiratórias.
A funcionária morta, Darya Shipilova, de 28 anos, trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, na Sibéria. Ela adoeceu na semana passada e morreu na noite de sexta-feira (2), depois de ser internada em um hospital da cidade de Shelekhov.
As circunstâncias da morte ainda não estão totalmente esclarecidas. Autoridades russas afirmam que Shipilova morreu de uma “pneumonia de origem desconhecida” e dizem que não há evidências de que a doença tenha relação com seu trabalho no instituto. O veículo independente russo Lyudi Baikala relatou, citando fontes locais, que Shipilova teria quebrado acidentalmente um tubo contendo a bactéria Yersinia pestis, causadora da peste, enquanto trabalhava no laboratório em 25 de setembro.
A agência sanitária russa, Rospotrebnadzor, negou ter encontrado evidências de qualquer acidente durante o manuseio de agentes patogênicos no instituto. Ainda assim, autoridades russas adotaram uma série de medidas de precaução. Mais de 60 funcionários do instituto foram isolados, segundo informou a Radio Free Europe, enquanto pessoas que tiveram contato com Shipilova foram identificadas e colocadas sob acompanhamento médico. Partes do hospital de Shelekhov onde ela morreu também foram isoladas.
A chefe da Rospotrebnadzor, Anna Popova, viajou para a região de Irkutsk durante este fim de semana para acompanhar pessoalmente as medidas adotadas pelas autoridades. Uma fábrica de alumínio localizada na região também determinou que seus funcionários passassem a usar máscaras como precaução.
Questionado nesta segunda-feira sobre a situação na Rússia, Rubio afirmou que os Estados Unidos estão acompanhando as informações disponíveis. “Estamos observando e monitorando isso de perto. Não acho que seja motivo para alarme, mas é motivo para atenção e algo que precisamos acompanhar”, disse o secretário de Estado americano.
Rubio afirmou que Washington dispõe neste momento de informações limitadas sobre o caso. Segundo ele, pelas informações fornecidas pelos russos, uma funcionária do laboratório foi infectada e existe preocupação de que outras pessoas possam ter sido expostas, o que teria levado às quarentenas. O secretário disse ainda que o número reduzido de viagens entre Rússia e Estados Unidos diminui o risco imediato para os americanos, mas alertou para a necessidade de acompanhar o caso. Segundo Rubio, se uma doença desse tipo escapar das medidas de controle, ela “pode se espalhar rapidamente”.
O governador da região de Irkutsk, Igor Kobzev, afirmou que não foram registrados novos casos entre funcionários do instituto nos últimos dias e disse que todas as pessoas que tiveram contato conhecido com Shipilova foram localizadas, examinadas e colocadas sob supervisão médica e quarentena.
O presidente Donald Trump também comentou o caso nesta segunda e afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a ajudar a Rússia. Questionado por jornalistas na Casa Branca, o republicano disse que seu governo está acompanhando a situação e classificou o episódio como um “grande problema para a Rússia”.
“Bem, detesto vê-los passando por isso. É uma doença grave”, afirmou Trump. O presidente disse que ainda não havia conversado com o ditador russo Vladimir Putin sobre o caso, mas afirmou que Washington está disposto a oferecer ajuda. “Nós vamos ajudá-los. Estamos sempre dispostos a ajudar qualquer pessoa que tenha esse tipo de problema”, disse.