Rio Tinto mantém meta de liberar até US$ 10 bilhões

A Rio Tinto mantém a meta de liberar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões em capital e pretende anunciar US$ 5 bilhões em iniciativas até o fim de 2026. A estratégia combina ganhos de produtividade, simplificação do portfólio e revisão de ativos. Em entrevista durante o FT Metals & Mining Summit 2026, em Londres, o CEO Simon Trott também afirmou que a mineradora não tem planos de retomar as negociações com a Glencore, encerradas em fevereiro por falta de uma proposta considerada capaz de criar valor para os acionistas.
Segundo Trott, a companhia já anunciou cerca de US$ 2 bilhões em liberação de capital, incluindo iniciativas que não estavam contempladas nas estimativas de analistas. A empresa também mantém a meta de alcançar um ritmo anual de US$ 1,8 bilhão em ganhos de produtividade.
Foco em produtividade e ativos estratégicos
A estratégia apresentada por Trott está organizada em torno de três prioridades: fortalecer a operação, concentrar esforços nos negócios considerados estratégicos e simplificar a estrutura corporativa. A Rio Tinto reorganizou seu portfólio em três grupos de produtos: minério de ferro, alumínio e lítio, e cobre.
O executivo afirmou que a companhia pretende aproveitar os ativos existentes e desenvolver projetos próprios para atender à demanda futura. Entre as iniciativas citadas estão expansões de operações atuais, exploração mineral e projetos de crescimento orgânico.
Trott destacou que a transição energética e a digitalização devem sustentar a procura por metais nas próximas décadas. No caso do cobre, a expansão das redes elétricas e da infraestrutura necessária à economia digital amplia a necessidade de oferta. Para o lítio, o executivo também apontou perspectivas de crescimento da demanda.
Apesar disso, ele ressaltou que a mineração enfrenta dificuldades crescentes para obter licenças, encontrar depósitos e desenvolver novas minas. Por esse motivo, afirmou que a decisão de investimento precisa considerar fundamentos de longo prazo, e não apenas as cotações de curto prazo.
Negociações com a Glencore não devem ser retomadas
Questionado sobre uma possível retomada das negociações com a Glencore, Trott afirmou que o tema não está nos planos atuais da Rio Tinto. As conversas foram encerradas em fevereiro porque a companhia concluiu que não conseguiria estruturar uma transação capaz de criar valor para seus acionistas.
Segundo o CEO, a avaliação considerou fatores como a capacidade de executar projetos, a integração das operações e o potencial de geração de valor comercial em um grupo combinado.
Trott também afirmou que a Rio Tinto continuará avaliando oportunidades de aquisição complementar, sem abandonar a exploração mineral e o desenvolvimento dos ativos que já possui.
China segue relevante para a demanda por metais
Sobre a China, o executivo afirmou que a economia vem amadurecendo, com taxas de crescimento inferiores às registradas nas últimas décadas. Ainda assim, segundo ele, a demanda por commodities tem se mostrado mais resiliente do que parte do mercado esperava, apoiada também pela competitividade da indústria manufatureira chinesa.
Trott observou que governos e autoridades locais estão mais atentos à origem dos recursos minerais e ao papel das empresas que operam em seus territórios. Para a Rio Tinto, a relação com governos, trabalhadores e comunidades é um componente importante da estratégia de longo prazo.
O executivo defendeu que a mineração demonstre os benefícios econômicos e sociais de suas operações, incluindo empregos, atividade econômica e oportunidades para as comunidades.
Em sua avaliação, a confiança dos territórios onde a companhia atua pode facilitar o desenvolvimento de projetos e fortalecer a licença social para operar.
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